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A empresa Postos Petro Delta Ltda. iniciou suas atividades em 12 de maio de 1989, seu primeiro posto estava situado na cidade de Ibaté, no estado de São Paulo. Alguns anos mais tarde, precisamente em 15 de janeiro de 1992 foi inaugurada a primeira filial, localizada à Rua Domingos Cardoso n 405, no bairro Vila São Benedito.
Desde então, a empresa Postos Petro Delta vem crescendo no mercado de varejo de combustíveis e atualmente dispõe de 06 Postos na Região de São Carlos, localizados em pontos estratégicos para melhor atender seus clientes.
Os Postos Petro Delta contam com uma equipe de 60 colaboradores divididos em suas 06 filiais. A Organização trabalha focada na satisfação plena de seus clientes e no compromisso constante com a qualidade de produtos e serviços por ela comercializados. Porém, acredita que seu maior patrimônio está nas pessoas que nela trabalham e sendo assim investe na capacitação e aperfeiçoamento da sua equipe.
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Henrique Batista, de 36 anos, deixou o trabalho de entregas para se dedicar a canais dark no YouTube e mentorias Arquivo Pessoal Henrique Batista, de 36 anos, estava cansado de trabalhar entregando hambúrgueres. Ele e a mãe produziam os lanches em casa, em Paraopeba (MG), município com pouco mais de 24 mil habitantes, e Henrique cuidava das entregas de moto. A decisão de mudar de profissão veio há dois anos, depois de um dia de trabalho difícil. "Tomei uma chuva fazendo entrega e falei: 'Não quero mais isso para a minha vida'. Então, peguei pesado. Três meses trabalhando pesado." Henrique havia encontrado um curso do youtuber Peter Jordan sobre como ganhar dinheiro criando canais com a ajuda de inteligência artificial (IA) para a maior plataforma de streaming do mundo. Ele conta que comprou o curso por cerca de R$ 400 e passou a criar canais dark, também conhecidos como faceless (sem rosto, em inglês), porque quem produz o conteúdo não costuma aparecer nem usar a própria voz. "Vi como uma oportunidade de liberdade financeira", diz Henrique à BBC News Brasil. Com as ferramentas de IA, Henrique passou a fazer os roteiros dos vídeos, as narrações e as imagens. Para ele, é como "ter um funcionário que não gripa, que não tira férias e não dá dor de cabeça". Os temas são variados e acompanham tendências de conteúdos que já fazem sucesso em outros idiomas, como civilizações antigas e contos bíblicos, que ele não conhecia a fundo. É a IA que cuida de tudo. O faturamento — ou monetização, no jargão dos produtores de conteúdo — pode vir da participação na receita de anúncios exibidos nos vídeos. O valor varia conforme fatores como visualizações, perfil e localização da audiência. "Consegui monetizar um canal. Vi que eu poderia viver daquilo. Investi em outro. E deu certo", diz Henrique. Esse tipo de vídeo, feito quase totalmente com IA, virou uma dor de cabeça para o YouTube. Henrique Batista contou que trabalhava com venda e entrega de hambúrgueres antes de se dedicar aos vídeos de IA Arquivo Pessoal Ao mesmo tempo em que o Google, dono da plataforma, estimula e comercializa ferramentas de inteligência artificial, há uma pressão para que deixe de remunerar criadores que publicam conteúdos considerados ruins, pouco autênticos ou mesmo nocivos para os espectadores. Como mostrou a BBC News Brasil em reportagens recentes, há canais dark com milhões de visualizações que exploram a atenção de crianças com imagens hipnotizantes, tratam de saúde na terceira idade com soluções alarmantes e imagens de falsos médicos ou simplesmente divulgam conteúdos com informações falsas ou sem sentido. De acordo com uma pesquisa da empresa de IA Kapwing, 20% do conteúdo exibido para um novo usuário do YouTube é, atualmente, "vídeo de IA de baixa qualidade". Uma outra análise, do jornal New York Times, indicou que, após uma sessão de 15 minutos realizada depois de assistir a um canal infantil, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA. O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, "combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima" e que adota padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens. "Isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil. O Google afirma que todo o conteúdo do YouTube, inclusive o que é gerado por meio de IA, deve seguir as diretrizes da comunidade: "Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real". A empresa acrescenta que adiciona rótulos a conteúdos gerados por IA "para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo". 'Quem faz sucesso é a exceção' A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema Arquivo Pessoal A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado estuda este mercado. Ela diz que as novas tecnologias potencializaram, nos últimos dois anos, uma promessa que já existia no marketing digital: trocar empregos tradicionais por uma rotina mais flexível e lucrativa. "A IA dobra a promessa. Promete ser mais fácil, com menos esforço, que tudo vai acontecer se só deixar a inteligência artificial trabalhar por você", diz Pinheiro-Machado, que é professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema. "A promessa é sempre que você vai ter mais tempo, e isso pega sempre muito forte em pessoas que não têm tempo. É uma promessa muito cruel, sempre voltada a ver os filhos crescerem e a aproveitar a vida." Mas conseguir emplacar na plataforma, porém, não é simples como muitos prometem, porque, para conseguir a sonhada monetização, dá trabalho. O YouTube exige para isso que um canal tenha ao menos 1 mil inscritos e 4 mil horas de conteúdo com exibição pública nos últimos 12 meses. A tecnologia pode facilitar tarefas, como a produção de posts, mas está longe de trazer automaticamente os ganhos prometidos, diz Pinheiro-Machado. "Muitas pessoas vão desistindo. Quem faz sucesso é exceção." A criadora de conteúdo Tai Squinalli, que produz vídeos de música com IA em espanhol, conta que trabalha até 12 horas por dia Arquivo Pessoal Tai Squinalli, de 43 anos, se viu em dificuldade em janeiro deste ano, quando, segundo ela, o YouTube parou de remunerá-la pelos cinco canais dark que ela administrava. "Foi uma onda de desmonetização em massa. Ninguém entendeu muito bem o que aconteceu", conta ela à BBC News Brasil — o YouTube tem dito que não remunera conteúdo considerado inautêntico, que é muitas vezes o caso de vídeos cujo roteiro e imagem foram gerados por IA. Dois meses antes, ela afirmou à reportagem que tinha conseguido seu maior faturamento fazendo isso desde que começou em meados do ano passado: R$ 75 mil em um único mês, dinheiro que usou para se sustentar nos meses sem receber da plataforma. Foi um alento para quem recorreu aos vídeos de IA para ter alguma renda depois que a pousada que ela administrava em Itacaré, na Bahia, fechou na pandemia e ela voltou grávida para Caxias do Sul (RS), onde morava antes. Ela conta que trabalhou por um tempo gravando anúncios de produtos, mas se viu de novo sem emprego quando os clientes começaram a fazer vídeos com IA. "Pensei: 'Meu Deus, mais uma vez tenho que me reinventar." Pagou cerca de R$ 1 mil por um curso sobre canais dark. Depois de seis meses quase sem renda, investiu mais R$ 600 em uma mentoria e passou a criar histórias fictícias em diferentes idiomas. Tai conta que hoje mantém outros canais dark de músicas e também conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, ambos em espanhol e gerados por IA. "Mudei de nicho. Os canais de história perderam a monetização. Foi o nicho mais prejudicado." Ela diz que ganha hoje entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês com os vídeos e que prefere essa rotina a um emprego na sua área de formação, administração de empresas. "Eu gosto dessa liberdade, de não precisar ficar pedindo permissão para fazer as coisas. Ela conta que chega a trabalhar por até 12 horas por dia ou mais, inclusive à noite e aos finais de semana, mas acha que vale a pena. "Apesar de eu trabalhar muito, faço isso produzindo para mim", afirma. "Minha filha me pergunta: 'Mamãe, você nunca tira férias?' Não, mamãe não consegue." 'É um mercado dominado por gurus que são apresentados como os casos de sucesso' Canal Riqueza com IA associa tecnologia à renda extra, mas criador reconhece que nem todos conseguirão monetização Reprodução/YouTube A popularização dos vídeos feitos com IA impulsionou um outro segmento igualmente importante deste mercado: o das pessoas que ensinam a fabricar canais dark, muitas vezes junto com a promessa de que, assim, pode-se faturar alto, sem sair de casa ou ter complicações. Os cursos e mentorias são anunciados como "como fazer vídeos curtos e dizer adeus à CLT" ou "o prompt que vai te deixar milionário". A pesquisa liderada por Rosana Pinheiro-Machado acompanha influenciadores e alunos que participam de cursos sobre marketing digital e IA, no Brasil e em outros países. A pesquisadora aponta que uma das estratégias dos mentores é criar grupos de WhatsApp e listas de email para os alunos e disparar ofertas de métodos exclusivos para usar IA e ganhar dinheiro. "Você fica sendo bombardeado com promoções, com a ideia de dizer que você está perdendo a chance da sua vida", diz Pinheiro-Machado. "Apesar de prometer ser democrático, é um mercado dominado por gurus que chegaram primeiro e vendem sua fórmula. São esses que acabam sendo mostrados como casos de sucesso." Um dos canais que ensinam o método com IA é de Arthur Diniz, que se apresenta dizendo que "faturou seu primeiro milhão antes do primeiro beijo" e que já ensinou milhares de alunos "a transformar a internet em renda". Em seu canal, o Nova Riqueza IA, que tem 160 mil inscritos, Diniz ensina estratégias de negócios digitais "para construir prosperidade real, aquela que te permite viver bem, com saúde mental e propósito, sem se tornar escravo do trabalho". Em um dos vídeos mais recentes, com o título "Nova IA tá fazendo gente comum ganhar R$ 17.990 com apps", Diniz aparece à frente do computador e depois na praia, dizendo a uma IA: "Ganha dinheiro para mim". "Planeja, constrói, testa tudo sozinha e só me chama quando tudo terminar. Fechei o computador e fui viver a minha vida." Canal no YouTube promove uso de IA para obter dinheiro com vídeos Reprodução/YouTube Em outro, ele mostra como criou um perfil nas redes sociais que divulga mensagens bíblicas. "Nos últimos sete dias, essa estratégia secreta me gerou R$ 1109,65 só compartilhando versículos da Bíblia pelo celular. Melhor: sem aparecer, sem investir em anúncio, só usando o que eu já tenho no bolso. Você também tem, ou seja, o celular." Diniz argumenta no vídeo que qualquer pessoa pode copiar o método, e, "mesmo sem ter nenhuma experiência, já ter resultados financeiros". Ele então ensina a usar o Grok, a IA da empresa xAI, de Elon Musk, para gerar vídeos e depois gerar um texto no ChatGPT com frases bíblicas, para compartilhar junto do texto. A ideia é usar os vídeos como gancho para vender ebooks sobre estudos bíblicos. Diniz diz à BBC News Brasil que a mensagem que deseja passar a quem o segue é que IA reduz a barreira técnica para quem quer começar um canal dark. Mas ele reconhece que transformar os primeiros bons resultados em um negócio sustentável é outra história. "É justamente nessa etapa que a maioria das pessoas desiste. Por isso, não vejo contradição entre dizer que qualquer pessoa consegue começar e reconhecer que nem todas conseguirão construir um negócio de longo prazo", afirma Diniz. Apesar dos títulos provocativos, ele diz que não recomenda que seus seguidores abandonem o emprego. Já sobre os ganhos elevados que cita em seus títulos, ele afirma que "são baseados em casos reais". "Reconheço que um título, isoladamente, pode gerar expectativas diferentes do conteúdo completo", afirma Diniz. "Quando utilizo um valor mais alto, ele representa o melhor resultado daquele caso específico, que depois é explicado no próprio vídeo. Também faço questão de deixar claro que se trata de exemplos, que os resultados variam conforme a execução e que não existe promessa de ganho." Ele diz que, quando fala que IA faz o trabalho sozinha, isso diz respeito somente à parte técnica e não a todo o trabalho envolvido em um canal assim. "Isso não significa que um negócio funcione sozinho. O próprio vídeo dedica uma parte importante justamente às atividades que continuam sendo humanas: encontrar clientes, definir preços, vender, atender e acompanhar o trabalho." Ele também afirma que um criador deve ser transparente sobre o uso da IA e que a tecnologia "não substitui estratégia, responsabilidade nem bom julgamento". 'Tem roteiro que tem erro. Mas a gente não liga' Peter Jordan, empresário e youtuber brasileiro, é uma das vozes mais influentes no mercado de produção de canais dark no Brasil Reprodução/YouTube O youtuber Peter Jordan — que inspirou o entregador Henrique Batista, do início desta reportagem, a trocar de trabalho — é um dos mais influentes gurus dos canais dark no Brasil. Ele é criador e apresentador do canal Ei Nerd, que se apresenta como "o maior canal de cultura pop" brasileiro, com mais de 14,6 milhões de inscritos e 10 mil vídeos sobre celebridades, desenhos, curiosidades e afins. Tem mais de 4,5 bilhões de visualizações acumuladas desde que entrou no ar, em 2013. Jordan também está à frente do Nerd de Negócios, uma espécie de desdobramento empresarial do seu primeiro canal, onde ensina sobre marketing digital "de forma clara e simples, para que qualquer pessoa possa começar a empreender na internet". É ali que ele se apresenta como o dono de vários canais dark voltados para diferentes nichos e públicos e ensina como fazer sucesso e ter uma "renda passiva" com isso. Jordan diz que a velocidade de produção é uma das principais vantagens desse modelo de negócio. "Canal sem aparecer, a gente faz uma linha de produção tão rápida que chega a um ponto em que, estou falando da nossa equipe, a gente não se preocupa mais com roteiro. É um dos modelos mais lucrativos que existem", diz em um dos seus vídeos. Ele também diz que, para não comprometer o faturamento, não é possível corrigir os erros que a IA venha a cometer, e defende que eventuais falhas não necessariamente impedem um vídeo de ter bom desempenho. "Tem roteiro nosso que tem erro. Mas a gente não liga mais. A gente vai fazendo. O máximo que vai acontecer é o vídeo não ter view [visualização]", diz ele em um vídeo publicado em junho deste ano no YouTube, com mais de 200 mil visualizações. "Não vale você se preocupar a ponto de perder tempo na sua linha de processo de criação de vídeo. Isso é algo que ninguém vai te falar. Mas eu falo." Para ele, o público não se importa com esses erros, como falhas nas imagens geradas por IA. "A galera não quer saber disso. A galera quer só história, quer entrar, quer imergir. E não liga para esse tipo de coisa. As pessoas não comentam mais sobre esses erros. Elas estão curtindo esses vídeos." A BBC News Brasil pediu entrevista a Peter Jordan, mas ele não respondeu. 'Falsificação de conhecimento especializado' A falta de supervisão e checagem é um dos riscos dos vídeos produzidos de forma automatizada, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem. Outro ponto questionado por especialistas é a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado, especialmente quando é gerado por IA, sem revisão. Shuo Niu, professor associado de Ciência da computação da Clark University, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores analisaram, em estudo publicado em março, 377 vídeos de 47 canais em inglês que ensinavam a usar IA para ganhar dinheiro. "Os criadores pareciam menos preocupados com autoria ou credibilidade e mais interessados em construir linhas de produção eficientes, capazes de gerar conteúdos com potencial para viralizar", afirma Niu. A facilidade de produzir vídeos em grande escala, avalia o pesquisador, pode reduzir a qualidade geral do conteúdo disponível nas plataformas. Um dos riscos é o que ele chama de "falsificação de conhecimento especializado": pessoas sem experiência em determinado assunto podem usar a IA para escrever roteiros e se apresentar como autoridades. É o caso, por exemplo, dos diversos perfis nas redes sociais de falsos médicos gerados por IA, como mostrou a BBC News Brasil. "Observamos muitos criadores afirmando que a IA sabe quase tudo e pode permitir que muitos usuários se apresentem como especialistas em nichos em alta, mesmo quando possuem pouco conhecimento relevante", diz Niu. Isso pode diminuir o alcance de criadores que investem tempo, conhecimento e trabalho na produção de conteúdo original, avalia o pesquisador. Niu também alerta que transformar informações geradas por IA em vídeos pode dar a elas uma aparência de autoria humana e de credibilidade. "Os espectadores podem presumir que uma história ou afirmação é confiável porque parece ter sido comunicada por uma pessoa real na internet." O risco seria maior para crianças e idosos, que podem ter mais dificuldade para reconhecer conteúdos sintéticos ou enganosos, avalia. Para João Victor Archegas, coordenador de Direito & Tecnologia e GovTech do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), o fato de um conteúdo atrair visualizações não elimina a responsabilidade ética de quem o publica. "Não é uma pessoa qualquer fazendo conteúdo para três, quatro pessoas que estão na rede de amigos. É um canal com milhares ou até milhões de seguidores, que está fazendo conteúdo que vai chegar a milhares ou milhões de pessoas". O professor Shuo Niu avalia que o YouTube tem responsabilidade direta sobre esse fenômeno, porque seus sistemas de recomendação e monetização podem incentivar a produção em massa de vídeos de baixa qualidade que atraem cliques. Para ele, a solução não é eliminar todo conteúdo feito com IA, que também pode reduzir tarefas trabalhosas e permitir novas formas de criatividade. O desafio, avalia, é diferenciar esses usos de práticas que imitam o trabalho alheio, fabricam conhecimento especializado ou enganam o público. O YouTube afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético". Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genérico ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem personagens com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde. Eduardo Rico, especialista em desenvolvimento de canais no YouTube, afirma que a IA não reduz necessariamente a credibilidade de um vídeo. O problema, diz, é usar a tecnologia sem controle ou preocupação com a veracidade, especialmente em temas como saúde e conteúdo infantil. "O que eu sou contra é usar de forma desenfreada, sem um mínimo de crivo, sem a mínima preocupação com a verdade do que está acontecendo naquele vídeo." Rico diz que a velocidade de produção não substitui a necessidade de criar algo que interesse ao público. "Você pode ter os melhores recursos e os melhores roteiros. Se a audiência não gostar do seu conteúdo, não tem estratégia que vá funcionar", diz. Agora no g1
Com fenômeno El Niño, tempo seco e quente amplia alerta para doenças de pele O sistema alimentar global está mais preparado para enfrentar os efeitos de um forte episódio de El Niño do que em eventos semelhantes no passado. Estoques de produtos agrícolas próximos de níveis recordes, avanços tecnológicos e o crescimento de países como Brasil e Rússia entre os grandes exportadores aumentaram a capacidade de compensar eventuais perdas de produção. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e análises de especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, a produção agrícola mundial vem crescendo acima do consumo e do aumento da população desde a década de 1980. O avanço foi impulsionado por variedades de plantas mais produtivas, maior uso de fertilizantes, melhorias na irrigação e técnicas mais eficientes de proteção das lavouras. Esses fatores elevaram a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja. "Mesmo durante condições de seca, melhor manejo da irrigação e ciência das culturas significam que ainda podemos produzir rendimentos comercializáveis", disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3. Segundo ele, ainda há riscos para a oferta e os preços dos alimentos, mas a preparação atual tende a tornar as consequências menos severas do que em décadas anteriores. Os graves efeitos do 'Super El Niño' na América Latina previstos pelos cientistas Super El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta El Niño ganha força e ameaça lavouras do planeta O fenômeno climático já começa a afetar o plantio em partes da Ásia, incluindo a Índia e países do Sudeste Asiático, além da Austrália. A falta de umidade ocorre ao mesmo tempo em que a escassez de fertilizantes e diesel provocada pela guerra no Irã aumenta os riscos para a produção agrícola mundial. A Índia enfrenta uma temporada de monções abaixo do esperado. Na Austrália, há preocupação com o clima mais seco nas principais regiões produtoras de trigo. Indonésia e Tailândia também registram impactos da falta de umidade. A situação pode se agravar nos próximos meses. Segundo Chris Hyde, meteorologista da empresa americana SkyFi, o El Niño, que já é considerado forte, deve ganhar intensidade no quarto trimestre e no início de 2027. O fenômeno ocorre quando há um aumento anormal da temperatura da superfície do oceano no Pacífico central e oriental. Em geral, provoca condições mais secas em grande parte da Ásia e aumenta as chuvas em regiões das Américas. Episódios severos registrados entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 reduziram a produção de culturas importantes e contribuíram para a escassez de alimentos, a inflação e a perda de atividade econômica em diferentes países. Estoques ajudam a criar uma reserva contra perdas Desta vez, o cenário da oferta é diferente. Estoques elevados de grãos, sementes mais resistentes à seca, previsões meteorológicas mais precisas, agricultura de precisão e sistemas de irrigação mais eficientes formam uma espécie de colchão contra perdas provocadas pelo clima. Na Índia, por exemplo, a semeadura das principais culturas está próxima do ritmo normal após um atraso no início da temporada. As chuvas de agosto e setembro, porém, serão importantes para o desenvolvimento das lavouras. Lavoura de café no Sul de Minas AME/Divulgação O país também possui grandes reservas de arroz. Segundo a Reuters, os estoques indianos equivalem a mais de um ano das exportações globais do cereal. A China concentra quase metade dos estoques mundiais de trigo. Essa reserva pode ajudar a reduzir a necessidade de importações caso uma eventual seca prejudique a produção da Austrália, uma das principais fornecedoras do mercado internacional. Os estoques globais de óleo de palma também estão próximos de níveis recordes. O produto responde por cerca de 60% das exportações mundiais de óleos comestíveis. Brasil ganhou peso na oferta mundial Além dos estoques, outra mudança importante nas últimas décadas foi o crescimento de novos grandes exportadores agrícolas. O Brasil é um dos principais exemplos. O país se tornou o maior fornecedor mundial de soja, e suas exportações cresceram mais de 13 vezes desde o El Niño de 1997 e 1998. A Rússia também ganhou espaço no mercado agrícola global. As exportações russas de trigo chegaram a 48 milhões de toneladas no ano passado, ante cerca de 1 milhão de toneladas em 1997 e 1998. A maior participação desses países significa que uma eventual quebra de safra em determinadas regiões pode ser parcialmente compensada pela produção de outros grandes fornecedores. Tecnologia aumenta resistência das lavouras A agricultura também passou a contar com ferramentas que praticamente não existiam durante os grandes episódios de El Niño do passado. Híbridos de milho tolerantes à seca foram amplamente adotados na África e nas Américas desde 2015. Variedades de trigo resistentes ao calor e à falta de água também ganharam espaço na Índia e na Austrália. No Sul e no Sudeste Asiático, variedades de arroz de ciclo mais curto ajudam os agricultores a lidar com períodos de chuva mais irregulares. Os produtores também passaram a utilizar satélites, previsões climáticas sazonais, mapas de umidade do solo e sistemas de aplicação de fertilizantes orientados por GPS. Essas ferramentas permitem identificar áreas mais vulneráveis e direcionar água e insumos de maneira mais eficiente. "Os governos têm informações muito melhores do que no passado e conseguem se preparar mais cedo", disse Maximo Torero, economista-chefe da FAO, à Reuters. Agricultores também começam a utilizar plataformas baseadas em inteligência artificial que combinam previsões do tempo, informações sobre o solo e dados das lavouras para recomendar períodos de plantio e irrigação, além da aplicação de fertilizantes e do controle de pragas. Guerras e fertilizantes ainda preocupam Apesar da maior capacidade de resposta, especialistas alertam que o sistema alimentar global continua vulnerável a choques simultâneos. As guerras no Oriente Médio e na região do Mar Negro podem comprometer parte dos ganhos proporcionados por estoques maiores e avanços tecnológicos. A crise no Estreito de Ormuz também afetou o fornecimento de combustíveis e fertilizantes. Antes do bloqueio relacionado à guerra no Irã, a passagem concentrava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito. Para Maximo Torero, da FAO, os efeitos do El Niño dependerão principalmente da evolução das condições climáticas no segundo semestre de 2026 e dos impactos dos conflitos sobre a disponibilidade e os preços dos insumos agrícolas. Assim, embora o mundo tenha hoje mais estoques, tecnologia e fornecedores capazes de compensar perdas, a combinação de clima extremo, conflitos e custos elevados de produção ainda pode pressionar a oferta e os preços dos alimentos.
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