Como ficará o setor petrolífero na Venezuela? As declarações do presidente Donald Trump sobre a intenção de “assumir” o setor petrolífero da Venezuela, após a operação que retirou Nicolás Maduro do poder, colocaram no centro do debate o futuro da estatal PDVSA. A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta — mais de 300 bilhões de barris, segundo entidades internacionais do setor energético — e manteve por anos um quase monopólio do setor após a reestatização promovida pelo antecessor de Maduro, Hugo Chávez. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ao prender Maduro, Trump prometeu reestruturar a indústria petrolífera, com investimentos de bilhões de dólares de empresas americanas, e o destino dessas reservas passou a ser acompanhado de perto por governos, empresas e investidores. A empolgação inicial levou as ações de petrolíferas americanas a dispararem. A Chevron, que mantém operações no país e é vista como uma das mais bem posicionadas, subiu 5,1% na segunda-feira. Conforme se percebeu que qualquer mudança levaria tempo, o movimento se inverteu: os papéis recuavam mais de 4% na terça. Além dos impactos econômicos e geopolíticos, surge o debate sobre como a ofensiva de Trump pode redesenhar o papel da PDVSA e da Venezuela no mercado internacional de petróleo. Segundo analistas ouvidos pelo g1, o movimento reflete menos uma mudança imediata na oferta global e mais a leitura do mercado diante de um novo cenário geopolítico. O que acontece com a PDVSA? Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui Reuters Apesar da ofensiva militar, a estatal venezuelana segue operando. Segundo informações da Reuters, as atividades de produção e refino continuam normalmente, sem danos às principais instalações, embora o porto de La Guaira tenha sido severamente afetado pelos ataques. O principal desafio da empresa, no entanto, não é operacional de curto prazo, mas estrutural. Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), afirma que a estatal foi enfraquecida ao longo dos anos. “A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”, diz. ➡️ Responsável pela exploração, produção, refino e exportação de petróleo, a Petróleos de Venezuela S.A. é o eixo de um setor que sustenta a economia do país há décadas. O petróleo e seus derivados respondem por cerca de 90% das receitas de exportação da Venezuela, o que torna a estatal central para as contas públicas. ➡️ Apesar de administrar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a PDVSA atravessa um longo processo de deterioração. Durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, a empresa sofreu forte interferência política, enfrentou casos recorrentes de corrupção, perdeu quadros técnicos e viu investidores estrangeiros deixarem o país. ➡️ O impacto foi direto na produção, que caiu mais de 70% desde o fim dos anos 1990. Problemas operacionais, como acidentes em oleodutos e refinarias, agravaram o quadro, enquanto sanções impostas pelos EUA — especialmente a partir de 2017 — restringiram o acesso da empresa a financiamento, tecnologia e mercados internacionais. Ainda assim, a PDVSA conseguiu estabilizar a produção em torno de 1 milhão de barris por dia, em parte graças a licenças especiais concedidas a algumas empresas estrangeiras, como a americana Chevron. Diante da intervenção americana, Rafael Chaves, ex-diretor da Petrobras e professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a estatal venezuelana não deve perder relevância, mas deve mudar seu modelo de atuação, hoje marcado pelo isolamento. “O cenário mais provável é a construção de um novo arranjo de regras, no qual a estatal passe a operar em parceria com empresas internacionais. Isso não representa um enfraquecimento. Pelo contrário, pode significar um fortalecimento, já que o isolamento e o monopólio tendem a fragilizar as empresas”, afirma. O que Trump pretende e o papel das empresas americanas Em coletiva de imprensa no sábado (3), Trump afirmou que os EUA pretendem “consertar” a indústria petrolífera venezuelana ao abrir o setor para grandes empresas americanas, o que permitiria recuperar a infraestrutura do país e recolocar o petróleo venezuelano no mercado internacional. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, disse o presidente americano, ao defender uma participação direta do capital privado na reestruturação do setor. Em relatório, analistas do UBS BB pontuam que Trump defende que os EUA “administrem” a Venezuela durante um período de transição, com a produção de petróleo liderada por empresas americanas. A proposta, segundo o documento, seria usar esse modelo para “recuperar prejuízos” acumulados ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, isso não significaria uma estatização do setor. Para Rafael Chaves, a lógica é de mercado. “Os EUA costumam operar com mercados, não com estatização. Quando Trump fala em ‘assumir’, ele se refere, provavelmente, à abertura para empresas privadas, como Exxon e Chevron”, explica. Nesse contexto, Barral destaca o interesse das empresas americanas no petróleo venezuelano. Ele lembra que, durante o governo de Joe Biden, foram criadas exceções que permitiram a atuação limitada de algumas companhias dos Estados Unidos no país. “Essa presença, no entanto, foi tímida, porque ninguém faz grandes investimentos sem segurança jurídica no país.” Com o governo Trump, essas autorizações foram revogadas, levando muitas empresas a suspender suas operações na Venezuela. Ainda assim, Barral afirma que o interesse em retomar investimentos permanece. Para isso, o caminho mais provável seria a celebração de acordos com a PDVSA. “Essas parcerias poderiam envolver a cessão de blocos ou outros formatos de parceria, para viabilizar a produção e a exportação de petróleo. O objetivo principal é exportar para o sul dos EUA, onde há muitas refinarias”, explica. Por isso, a expectativa de abertura do mercado venezuelano impulsionou as ações das principais petrolíferas americanas desde segunda-feira (5). Efeitos no mercado de petróleo Analistas e especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que os desdobramentos na indústria petrolífera venezuelana tendem a ter impacto limitado sobre os preços internacionais do petróleo no curto prazo. A principal razão é que a produção do país permanece em torno de 1 milhão de barris por dia, um volume bem abaixo de seu potencial histórico. Para que a oferta aumente de forma relevante, seria necessário um processo longo de investimentos, reconstrução da infraestrutura e mudanças profundas na governança da PDVSA. Além disso, o mercado global de petróleo já opera sob a expectativa de excesso de oferta e de uma demanda mais fraca em 2026, o que reduz a probabilidade de um impacto rápido ou significativo nos preços. Na avaliação de Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mesmo um cenário otimista apontaria para uma recuperação gradual. “Não há possibilidade de aumento rápido. Um retorno ao patamar de 3 milhões de barris por dia não ocorreria em menos de cinco anos”, afirma. Ainda assim, uma eventual recuperação da produção venezuelana tornaria o mercado mais competitivo, pressionando o Brasil e a Petrobras a acelerar a exploração de suas reservas, de acordo com Rafael Chaves. Para ele, a Petrobras segue relevante, mas precisa ganhar velocidade para transformar potencial energético em crescimento econômico. O fator China e o redesenho geopolítico A atuação dos EUA na Venezuela também envolve uma dimensão estratégica no cenário geopolítico. Segundo Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus, a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, com compras em torno de 430 mil barris por dia, além de ser credora de cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo. Nesse contexto, a leitura de especialistas é que Washington busca reduzir a influência de Pequim e de Moscou sobre o país sul-americano — o que pode levar outros países da região a reavaliar sua dependência desse financiamento. Apesar disso, Barral, da BMJ, avalia que ainda não há uma estratégia americana claramente definida para o futuro da Venezuela. “Havia o objetivo de derrubar Maduro, mas não existe uma diretriz clara sobre o que fazer com o país depois disso.” “Do ponto de vista geoestratégico, o principal interesse é afastar a Venezuela de alianças com Rússia, China e Irã. O país estava muito alinhado a esses atores, e há um interesse evidente em reduzir essa proximidade”, explica. Na avaliação de analistas, a reação inicial dos mercados reflete mais uma leitura sobre o novo cenário político do que mudanças concretas na oferta de petróleo ou na estrutura da indústria venezuelana. “O mercado ficou mais tenso no primeiro momento, mas os preços voltaram ao patamar das últimas semanas”, afirma Helder Queiroz, indicando que, por ora, o impacto é mais simbólico do que prático, à espera de definições sobre os próximos passos no tabuleiro geopolítico e energético. Tanques com o logo da PDVSA em refinaria em Curaçao; foto de 22/04/2018 Andres Martinez Casares/Reuters
João Pantoja/Rede Amazônica A venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em relação ao número de emplacamentos registrados em 2024. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Segundo a entidade, foram vendidos 223.192 veículos eletrificados em 2025, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Na comparação com 2023, o avanço chega a 138%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O ano também foi marcado pela inauguração das fábricas da BYD e da GWM, além do início da fabricação nacional de modelos elétricos da Chevrolet, que prometem ampliar ainda mais as vendas em 2026. (veja mais abaixo) O crescimento entre 2024 e 2025 já é expressivo por si só, mas ganha ainda mais destaque quando comparado à previsão de alta de apenas 2,5% para todo o mercado de automóveis da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com isso, o segmento de veículos elétricos e híbridos deve crescer cerca de 10 vezes mais do que o mercado total, que inclui também os modelos movidos a combustão. A ABVE não inclui na contagem os veículos com sistema híbrido leve, já que esse tipo de tecnologia não utiliza o motor elétrico para movimentar as rodas. Alguns modelos com esse sistema são: Fiat Pulse; Fiat Fastback; Peugeot 208; Peugeot 2008; Caoa Chery Tiggo 7 Pro; Kia Sportage; Land Rover Defender 110 e 130. Ao incluir esse tipo de eletrificação no total, foram emplacados 282.252 veículos em 2025. Os híbridos leves responderam por 34% de todas as vendas. A diferença de 59.060 unidades é superior ao volume registrado por todos os modelos com conjunto híbrido pleno (42.354 unidades). Entre eles, estão: Honda Civic; Honda CR-V; Toyota Corrolla; Toyota Corolla Cross; Toyota Rav4; Ford Maverick; Hyundai Kona; GWM Haval H6; GAC GS4. “Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. Em 2016, tínhamos ficado felizes quando atingimos 1.091 unidades e agora, em 2025, chegamos a 223.912. O mercado aumentou 20.423% em apenas 10 anos!”, apontou Ricardo Bastos, presidente da ABVE. Segundo a ABVE, os veículos eletrificados responderam por 13% das vendas de carros zero km em 2025. Híbrido plug-in é o preferido do brasileiro Mesmo com grande parte das vendas concentrada nos híbridos leves, os híbridos plug-in que registraram os maiores volumes. Neles, o motor elétrico move as rodas e garante menor consumo de combustível. Veja quantos emplacamentos foram feitos por cada tecnologia: Híbrido plug-in: 101.394 unidades emplacadas; 100% elétrico: 80.178 unidades emplacadas; Híbrido leve 12V: 44.459 unidades emplacadas; Híbrido pleno flex: 21.323 unidades emplacadas; Híbrido pleno: 21.047 unidades emplacadas; Híbrido leve 48V: 16.881 unidades emplacadas. Brasil expandiu a fabricação local em 2025 Fábrica da BYD em Camaçari (BA) divulgação/BYD Em 2025, começaram a operar fábricas de três grandes marcas no Brasil, que devem ampliar a oferta e os emplacamentos de eletrificados no Brasil. A primeira foi a BYD, que inaugurou sua planta em Camaçari (BA), onde a Ford produzia veículos como o EcoSport. Na unidade do Nordeste são produzidos: BYD Dolphin Mini; BYD Song Pro; BYD King. A GWM também assumiu e adaptou a unidade fabril que antes pertencia à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP) — onde a marca alemã produzia modelos como o sedã Classe C e o SUV GLA. A partir da planta no interior paulista, a fabricante chinesa produz: GWM Haval H6; GWM Haval H9; GWM Poer P30. Já a GM adotou uma estratégia diferente ao terceirizar a produção de seus modelos elétricos para a Comexport, em Horizonte (CE). A partir dessa unidade saem modelos como: Chevrolet Spark; Chevrolet Captiva EV. “Em resumo, os eletrificados são o setor mais inovador e dinâmico do mercado automotivo brasileiro, e o que mais investe em geração de emprego", disse o presidente da ABVE. Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) divulgação/GWM
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