O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 Zachary Pearson/U.S. Navy via AP O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (30) que o país deve retomar o controle do Estreito de Ormuz e garantir a liberdade de navegação na região, considerada estratégica para o comércio global de petróleo. Em entrevista ao programa “Fox & Friends”, da Fox News, Bessent disse que o mercado global segue bem abastecido, apesar das tensões recentes. Segundo ele, a circulação de navios já dá sinais de retomada. “Com o tempo, os EUA vão retomar o controle do Estreito e haverá liberdade de navegação, seja por meio de escoltas dos EUA ou de uma escolta multinacional”, afirmou. Irã mostra momento em que chefe da Marinha dá ordem para fechar Estreito de Ormuz A declaração ocorre em um momento de incerteza sobre a segurança da rota, que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo e é responsável por escoar uma parcela significativa da produção de petróleo de grandes exportadores. Pressão por estabilidade A fala de Bessent sinaliza confiança do governo americano em uma solução para a crise, embora ainda não haja prazo definido para a normalização completa do fluxo de embarcações. Ao mesmo tempo, reforça a pressão internacional por estabilidade na região. Embora o governo americano demonstre confiança, as falas contrastam com declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que ao longo de março fez uma série de promessas sobre a liberação do Estreito de Ormuz que ainda não se concretizaram. No dia começo do mês, em entrevista à CBS News, Trump disse que avaliava assumir o controle da rota e afirmou que os Estados Unidos “poderiam fazer muita coisa” em relação ao estreito. Já no dia 21, em uma publicação nas redes sociais, o presidente deu um ultimato ao Irã, exigindo a reabertura completa da passagem em 48 horas sob ameaça de ataques a usinas de energia iranianas. Na última quinta-feira (26), afirmou durante reunião de gabinete que o fluxo de petroleiros poderia ser normalizado como parte das negociações e chegou a dizer que o controle da região poderia ser uma opção. Apesar disso, o estreito segue sob instabilidade, com episódios recentes de ataques e riscos à navegação. Nos últimos dias, episódios envolvendo o tráfego marítimo e ações militares aumentaram a tensão. Dados de rastreamento indicam que dois navios porta-contêineres chineses conseguiram atravessar o estreito em uma nova tentativa de deixar o Golfo, após recuarem anteriormente. Já no campo militar, o exército de Israel afirmou ter interceptado dois drones lançados do Iêmen. O ataque ocorreu após rebeldes houthis, alinhados ao Irã, dispararem mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Impacto no petróleo e na inflação A instabilidade na região tem impacto direto sobre os preços do petróleo. O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais gargalos logísticos do mundo, e qualquer interrupção ou risco elevado no transporte tende a encarecer o barril. Segundo analistas, um eventual bloqueio também no Mar Vermelho — caso os houthis passem a atacar navios — poderia elevar os preços entre US$ 5 e US$ 10 por barril. Esse movimento pressiona a inflação global, já que o aumento do custo dos combustíveis afeta cadeias produtivas em diversos países. Trump volta a ameaçar o Irã Em meio à escalada de tensão, Donald Trump, voltou a pressionar o Irã nesta segunda-feira. Ele exigiu que o país reabra o Estreito de Ormuz e alertou para possíveis ataques a instalações energéticas iranianas caso isso não ocorra. Trump havia indicado anteriormente que poderia suspender ações contra a infraestrutura energética do Irã até 6 de abril, enquanto negociações ocorrem. Segundo ele, representantes dos dois países vêm se reunindo “direta e indiretamente”. O governo iraniano, no entanto, classificou as propostas americanas como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e voltou a lançar mísseis contra Israel. Para analistas, o prazo estabelecido pelos EUA não foi suficiente para acalmar o mercado, que agora busca sinais concretos de redução das tensões. Diante dos riscos no Estreito de Ormuz, exportadores já começaram a buscar rotas alternativas. Dados da consultoria Kpler mostram que as exportações de petróleo da Arábia Saudita redirecionadas para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, saltaram para 4,658 milhões de barris por dia na última semana. Empresas do setor também monitoram a situação. A PetroChina, maior produtora de petróleo e gás da Ásia, afirmou que segue operando normalmente, embora cerca de 10% de seu fornecimento dependa da passagem pelo estreito. Apesar disso, o fim de semana foi marcado por novos ataques na região, incluindo danos a um terminal em Omã e registros de mísseis no Kuwait e nas proximidades da Arábia Saudita. O cenário, segundo especialistas, ainda é de cautela, com o mercado global atento aos próximos desdobramentos no Oriente Médio. Reportagem elaborada com informações da agência Reuters.
Empresa espanhola ganha leilão e vai administrar o aeroporto do Galeão, no Rio A empresa espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, e ficará responsável pela operação do terminal até 2039. O certame, realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, teve início às 15h, na sede da bolsa de valores de São Paulo, a B3. Além da Aena, disputaram a concessão o Zurich Airport e a atual concessionária RIOgaleão. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O valor mínimo de outorga — pago ao governo pelo direito de explorar o Galeão — foi fixado em R$ 932,8 milhões. O lance final da Aena, de R$ 2,9 bilhões, representou um ágio de 210,88%, após uma disputa acirrada. A vitória permite que a empresa espanhola passe a operar o aeroporto em um modelo que substitui o contrato de concessão anterior por outro mais flexível, garantindo a continuidade das operações. (leia mais abaixo) Com o Galeão, a Aena amplia sua atuação para 18 aeroportos no Brasil, sendo a maior concessionária aeroportuária do país em número de terminais. Entre eles estão o aeroporto de Congonhas, na capital paulista, e os de Recife (PE) e Maceió (AL). O que acontece agora? A Aena irá assumir a operação do Galeão. Atualmente, a concessionária RIOgaleão — formada pela Vinci Compass e pela Changi Airports — detém 51% das ações, enquanto a Infraero controla os outros 49%. Com a venda assistida, RIOgaleão e Infraero deixarão o negócio, permitindo que a nova operadora assuma integralmente a concessão. 🔎 Diferentemente da concessão tradicional, que parte de um projeto novo, a venda assistida envolve a relicitação de um contrato já existente, renegociado para viabilizar a troca de operador — caso do Galeão. O contrato prevê que a Aena poderá explorar, manter e ampliar a infraestrutura do aeroporto, além de assumir os direitos e obrigações previstos no novo acordo. A venda assistida do Galeão foi definida em acordo entre o governo, a RIOgaleão e o Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato passou por mudanças em relação ao formato original de 2013, em uma tentativa de tornar o negócio mais atrativo para novos operadores. As principais mudanças com a nova concessão são: a substituição de uma contribuição fixa por um pagamento variável de 20% sobre o faturamento até 2039, repassado à União como taxa de concessão; o fim da obrigação de construir uma terceira pista; a saída da Infraero da sociedade; e a criação de um mecanismo de compensação relacionado ao Aeroporto Santos Dumont (SDU), um dos principais concorrentes do Galeão. Ou seja, se o governo alterar as restrições de operação do SDU, o novo controlador do Galeão poderá solicitar compensação. Após o leilão, o diretor-geral da Aena Internacional, Emilio Rotondo, afirmou que o Brasil é estratégico para a empresa, que passa agora a administrar o segundo e o terceiro maiores aeroportos do país em número de passageiros. “Também reforçamos nossa presença e atuação junto a parceiros institucionais locais. Com isso, passamos a movimentar cerca de 62 milhões de passageiros no Brasil”, declarou. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que a aviação brasileira avança e que as “dificuldades” envolvendo o Galeão estão sendo superadas. Ele também agradeceu a cooperação que viabilizou o leilão de venda assistida do aeroporto. “Por meio da cooperação, estamos tendo um resultado muito positivo para a história do Brasil e, sobretudo, para a aviação do país”, disse. Movimento de passageiros no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. Fernando Frazão/Agência Brasil Números do Galeão O leilão ocorreu após um período de reestruturação do aeroporto, que enfrentou queda na demanda após os grandes investimentos realizados para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 — cenário agravado pela pandemia de Covid-19. Apesar de o número de passageiros ainda estar abaixo da capacidade do terminal, de 37 milhões por ano, o volume de viajantes vem crescendo, segundo a RIOgaleão. Em 2025, por exemplo, 17,9 milhões de pessoas passaram pelo Galeão, um aumento de 23,4% em relação ao ano anterior, quando foram 14,5 milhões. O número representa uma média de 49 mil passageiros por dia. Além disso, o aeroporto registra cerca de 340 voos domésticos e 110 voos internacionais por dia, entre pousos e decolagens. Números do Aeroporto do Galeão Arte/g1 Veja onde fica o Aeroporto Galeão Leilão do Aeroporto do Galeão Arte/g1
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